
Segundo o levantamento, a nota dos participantes
de famílias que ganham até R$ 545 (equivalente a um salário mínimo em 2011,
época do último Enem com dados disponíveis) é de 460, contra 642 daqueles cuja
renda da casa varia entre R$ 8.175 e R$ 16.350 (15 a 30 salários mínimos).
Os números mostram que a desigualdade se
apresenta também nas redes privada e pública. Nas primeiras, a nota média é 486
pontos, nos casos das estaduais, e 498, no das municipais. Nas privadas, é 612
– ou 26% a mais que a verificada nos centros mantidos pelos governos estaduais.
Os fatos estão interligados: a maior parte dos
alunos de baixa renda estão em escolas públicas, mas a diferença está presente
até mesmo quando se observa o desempenho dentro de uma mesma rede. Ao tornar a renda um elemento extremamente
relevante no sucesso escolar – independentemente das razões - o Brasil vai
contra um dos entendimentos primordiais de especialistas, de que a boa educação pública
é aquela que equaliza oportunidades.
Países como Finlândia são
justamente elogiados por caminhar nessa direção. Não que todos alunos
apresentem o mesmo rendimento – o que não seria desejável nem possível – mas há
um patamar mínimo e equilibrado entre as escolas para que alunos de menor renda
possam competir com aqueles que vêm de famílias ricas.
No Brasil, os estados que apresentaram a menor
distância entre a parcela mais rica e pobre dos alunos foram Santa Catarina e
Amapá, onde a diferença foi de 27% - menor que os 40% do país, portanto. Piauí
está na ponta oposta, com 50%. O Enem 2013 ocorre neste fim de semana, nos dias 26 e 27 de outubro.
Postado por Tadeu Nogueira às 14:25h
Com informações da Revista Exame